Marca: EDITORA ROCCO
A VIA CRUCIS DO CORPO: EDIÇÃO COMEMORATIVA
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Autor : LISPECTOR, CLARICE
Páginas : 80
Edição : 1 - 2020
Ano : 2020
Origem : NACIONAL
Encadernação : BROCHURA
Dimensões : 14 x 21 x 2
ISBN : 9786555320367
Situação : Disponível
Data de lançamento : 16/11/2020
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Cuidado, leitor, este livro requer coragem. Parece ser o desafio lançado por Clarice Lispector no prefácio "Explicação" de A via crucis do corpo, livro de 1974. Nele, a autora simula uma Clarice diferente da que os leitores estavam acostumados desde sua primeira obra, Perto do coração selvagem, de 1944. No entanto, ela é a mesma de sempre, a que nunca se recusou a fitar com os olhos abertos a selvageria do desejo humano, da avidez humana, da sordidez humana. O que se modificou foi o espanto se convertendo em escândalo, o sobressalto em ferocidade. Neste livro, Clarice está próxima à literatura maldita ou, como quer Georges Bataille, próxima à literatura do mal. Afrontando os limites morais, a autora adverte: "Fiquei chocada com a realidade. Se há indecências nas histórias a culpa não é minha." O deslocamento da noção de indecência para o âmbito total da realidade cria um estado de perplexidade no leitor que poderá levá-lo a exclamar como a própria narradora de um dos contos: "A vida era isso, então? essa falta de vergonha?" São 14 textos ficcionais - 13 contos mais o prefácio "Explicação" - compondo para o leitor um panorama de vicissitudes do corpo - o grande personagem destas histórias. O corpo nos seus desarranjos pulsionais, na tirania de seus desejos, nas suas fraturas e feridas, nos seus êxtases. O corpo como bênção e maldição. Como tudo que excede, o que sobra, mas que não chega nunca a suprir a falta primordial. Enigmático e severo, óbvio e exultante. Além do ousado tratamento temático da paixão do corpo (paixão entendida etimologicamente como pathos), o estilo de Clarice está mais depurado e enxuto neste pequeno livro. À primeira vista, se poderia pensar no estilo realista. Não se engane, todavia, leitor: nada é tão simples nem tão evidente quanto parece. O realismo destas histórias encontra-se sob forte pressão e o efeito é sempre desconcertante, tal como no detalhe final do fecho narrativo do conto "Melhor do que arder": "Tiveram quatro filhos, todos homens, todos cabeludos." Aceite o desafio e enfrente o desconcerto, caro leitor. A literatura de Clarice tem força. - ANA CRISTINA CHIARA, Profª. Adjunta de Literatura Brasileira na UFRJ
9786555320367
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