Embaixo desse silicone também bate um coração
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Autor : Ayune Bezerra
Editora : AMANUENSE LIVROS (CT)
Páginas : 110
Edição : 1 - 2026
Ano : 2026
Origem : NACIONAL
Encadernação : BROCHURA
Dimensões : 14 x 1 x 21
ISBN : 9786580788781
Situação : Lançamento
Data de lançamento : 05/08/2026
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Há violências que não terminam com a morte. Para muitas mulheres trans e travestis, o apagamento continua nos boletins de ocorrência, nos inquéritos policiais, nas denúncias do Ministério Público e, por fim, nas decisões judiciais. Quando a identidade da vítima é ignorada, alterada ou simplesmente silenciada, o sistema de Justiça deixa de apenas julgar um crime. Passa também a escrever uma narrativa sobre quem merece ser reconhecido como sujeito de direitos.É justamente esse processo que Ayune Bezerra Soares se propôs a investigar. A partir da análise de julgados do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, a autora examina de que forma o Poder Judiciário identifica - ou deixa de identificar - a transfobia e o transfeminicídio em crimes praticados contra mulheres trans. O resultado é um estudo rigoroso, sustentado por sólida pesquisa empírica e por um consistente diálogo com os estudos de gênero, os direitos humanos e a criminologia contemporânea.Mas esta não é uma obra que trata de morte. Trata, sim, do direito à própria identidade e à vida. E ultrapassa os limites de uma investigação acadêmica. Ao revelar como categorias jurídicas, escolhas linguísticas e práticas institucionais podem perpetuar formas de invisibilização, o livro convida o leitor a refletir sobre como o reconhecimento da identidade é também uma condição para a efetivação da Justiça.Escrito por quem conhece o tema não apenas como pesquisadora, mas também como mulher trans e participante ativa da construção de políticas públicas e da defesa dos direitos humanos, este livro reúne rigor científico, sensibilidade e compromisso ético. A experiência pessoal da autora jamais substitui a pesquisa. Ao contrário, amplia sua capacidade de formular perguntas que muitas vezes permaneceram invisíveis ao próprio sistema jurídico.Embaixo desse silicone também bate um coração é, acima de tudo, um convite a enxergar aquilo que, durante muito tempo, permaneceu oculto. Porque nenhuma sociedade pode se dizer verdadeiramente justa enquanto permitir que pessoas sejam apagadas duas vezes: primeiro pela violência, depois pelas instituições encarregadas de reconhecê-las.
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